Como você Gerencia os Riscos?

risco

 

Dentro do Gerenciamento de Riscos, o que você entende como um risco? Vamos citar algumas definições.

Segundo o PMBOK Guide (Project Management Body of Knwoledge) do PMI (Project Management Institute), Risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto.

Já o Management of Risk: Guidance for Practitioner (M_o_R), Risco é definido como um evento ou conjunto de eventos incertos que, caso ocorra, trará um efeito nos objetivos.

Na ISO 31000, padrão internacional de Gestão de Risco, define risco como efeito das incertezas nos objetivos.

Em todas as definições são citadas efeitos nos objetivos.

A composição dos Riscos

Os riscos possuem três componentes e devem ser escritos identificando sua causa(s), evento(s) e consequência(s) ou impacto(s).

Exemplo 1: devido a um curto-circuito na instalação elétrica (causa), o armazém poderá pegar fogo (evento), fazendo com que todo o estoque seja perdido (consequência).

Exemplo 2: devido a chegada do verão (causa), poderá acarretar uma sobrecarga na demanda de energia na empresa fornecedora de energia elétrica (evento), acarretando falta de energia elétrica e parada na operação dos equipamentos da fábrica (consequência).

Perceba que nos dois exemplos acima pelo menos um dos objetivos foi afetado. No primeiro exemplo há a possibilidade de perda no estoque, fazendo com que haja prejuízo financeiro por conta de materiais que foram incendiados.

Já no segundo exemplo, há possibilidade de falta de energia, fazendo que as máquinas parem de funcionar, afetando a venda da empresa.

Componentes do Risco

Há dois componentes do risco que precisam ser compreendidos para um futuro tratamento dos mesmos. Esses dois componentes são a probabilidade e a consequência (ou impacto).

Vamos fazer a analogia de um buraco em termos de sua largura e profundidade, onde a largura do buraco seria a probabilidade do risco e a profundidade do buraco seria a consequência ou impacto do risco.

Buraco

Figura 1 – Analogia do buraco com a probabilidade e consequência e impacto

No quadrante 1, a probabilidade é pequena, mas a consequência é grande caso o risco ocorra. No quadrante 3, tanto a probabilidade quanto a consequência são pequenas. No quadrante 4 a probabilidade é grande mas a consequência é alta. Já no quadrante 2, tanto a probabilidade quanto consequência são altas, e precisamos priorizar esses riscos que trarão prejuízos a organização.

Os Objetivos do dia a dia

Nós como indivíduos ou organizações possuímos objetivos pessoais e organizacionais, no caso das empresas. As empresas e as pessoas precisam progredir, e hoje estamos em uma situação A e queremos ir para uma situação B.

Para que isso seja possível, precisamos percorrer uma “estrada” para atingirmos nossos objetivos, para sairmos de um ponto A (situação atual) e irmos para o ponto B, que seria um outro patamar e o objetivo que queremos alcançar. Mas essa “estrada” a ser percorrida há muitas curvas sinuosas, com subidas e buracos, que precisamos antever e traçar um caminho mais retilíneo e menos turbulento. A essa ação podemos chamar de Gestão de Risco.

Estrada

Figura 2 – Plano x Real

Aplicação Prática

Vamos imaginar a vida de uma pessoa em um dia normal de semana, onde precisa ir para a academia, depois ir para o trabalho, pegar sua filha na escola e depois retornar para casa.

Vamos relembrar a definição de risco pela ISO 31000, que diz que é o efeito da incerteza nos objetivos. Uma pessoa pode ter vários objetivos durante o dia. No exemplo a pessoa tem os seguintes objetivos: 1) chegar na academia em tempo da aula de spinning; 2) chegar ao trabalho; 3) pegar a filha na escola antes do horário de fechamento; 4) chegar em casa com a filha em segurança.

Esses são apenas alguns exemplos de objetivos do dia a dia de uma pessoa. Para atingirmos os objetivos, precisamos passar por alguns obstáculos (riscos). Para que possamos maximizar as chances de atingir os objetivos, é necessário planejamento, do contrário a Lei de Murphy poderá estar caminhando ao seu lado.

Em relação ao objetivo 1, quais são as incertezas que podem afetar o objetivo de chegar na academia a tempo de fazer aula de spinning? Vejamos alguns riscos abaixo:

spinning

Tabela 1 – Riscos do Objetivo 1 – chegar para a aula de Spinning 

Lembrando que a composição do risco deve-se identificar sua causa, evento e consequência.

No risco 01, há o evento do despertador não tocar. Mas por que ele poderia não tocar? Por isso precisamos identificar as causas dos riscos, onde deveremos concentrar os esforços. No caso o despertador pode não tocar pela causa do descarregamento da bateria do celular. Você pode e deve identificar ações para que essa causa seja eliminada.

Já no risco 02, você poderá ficar no meio do caminho por uma falha mecânica do transporte. Diferente da causa do risco 01, nessa causa você não tem como intervir já que o transporte não é seu, mas você poderá ter uma contingência financeira, caso esse risco ocorra, como por exemplo, pegar um taxi ou pegar o Metrô, caso esteja próximo de uma estação e seja caminho até a sua academia.

No risco 03, a causa apenas São Pedro tem influência, e neste caso o que pode fazer é sair mais cedo de casa, já que em dias chuvosos é quase certo que o trânsito fique mais lento.

Vejamos agora a análise do objetivo 3:

pegar filha na escola

Tabela 2 – Riscos do Objetivo 3 – pegar a filha na escola

O risco 01 tem como causa seu chefe lhe chamar para uma reunião. Não me parece razoável declinar da reunião, ainda mais para seu chefe. Nesse caso terá que recorrer a sua esposa ou alguém de confiança que possa pegar sua filha. Caso não tenha a quem recorrer, terá que aceitar o risco e pagar hora extra para a escola por ter ficado além do horário. Nem sempre é possível tratarmos o risco.

O risco 02 tem como causa o fechamento da estação, pelo motivo de manifestação, muito comum nos dias de hoje, o que fará você caminhar até uma outra estação mais distante. Caso esse tempo extra seja prejudicial ao objetivo, terá que ter uma contingência financeira para pegar um taxi.

O risco 03 tem como causa o intervalo de trens superior ao habitual, fazendo como que o trem saia com atraso. É a mesma situação do risco 02, onde terá que avaliar se esse tempo afetará o objetivo, e nesse caso terá que ter uma reserva de contingência financeira para pegar um taxi.

O risco 04 tem como causa um dia chuvoso, o que fará você passar em casa antes para pegar o carro, para não expor sua filha e os materiais como mochila e outros na chuva, o que fará você perder um pouco mais de tempo. Nesse caso vale sair um pouco mais cedo do trabalho para compensar essa perda de tempo de ir em casa pegar o carro.

O risco 05 tem como causa ficar preso no vagão entre duas estações por problema de tráfego. Caso o tempo preso seja prejudicial a seu objetivo, terá que recorrer alguém caso haja sinal de celular e se alguém estiver disponível, senão, terá que aceitar o risco e pagar hora extra para a escola por ter ficado além do horário.

No caso das reservas financeiras de contingência, essa reserva tem que ser menor que a consequência financeira, no caso a hora extra da escola. Caso a reserva seja maior, é melhor aceitar o risco.

Nessa aplicação prática foi demonstrado como é possível aplicar a Gestão de Risco com os objetivos do dia a dia. O mesmo pode ser aplicado para organizações.

É muito comum as pessoas definirem os objetivos de prazos e custos, do tipo, temos que concluir a etapa xyz até 17/05/2015 com o custo de até R$ 300.000,00. Esses objetivos são muito macros. Precisamos desdobrar mais os objetivos para que o controle seja mais eficaz e aumente as chances de atingir os objetivos macros.

Imagine um projeto complexo de milhões, se os objetivos não forem desdobrados? Não podemos deixar de lado a Gestão de Risco.

Recentemente foi escrito um artigo com uma análise de risco completa. Sugiro acessar esse artigo para que possam verificar passo a passo de forma detalhada como é feito a análise de risco completa. Acesse o artigo aqui.

Autor: Luiz Guilherme Carvalho, MBA, PMP, PRINCE2, PMI-RMP, M_o_R, CSM

Foto de Terno

Linkedin |Facebook  | Grupo de Discussão | Blog | Twitter