Análise de Risco: Invasão do Fórum de Bangu por Criminosos no Rio de Janeiro

Poder Judiciário

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No dia 31 de Outubro de 2013, o Brasil ficou chocado com a audácia de uma facção criminosa ao invadir o Fórum do bairro de Bangu na cidade do Rio de Janeiro, para libertar dois criminosos que participariam de um julgamento. Houve trocas de tiro entre a facção criminosa e Policiais militares, resultando na morte de um policial e uma criança de 8 anos, e fazendo outras vitimas que foram baleadas e estão internadas em um hospital da região.

Como os criminosos no julgamento eram considerados de alta periculosidade, havia muitos policiais no local do julgamento, e os policiais não eram obrigados a tirar as armas durante o julgamento, fazendo com que houvesse uma troca de tiro entre policiais e criminosos que invadiram o Fórum.

As testemunhas que presenciaram tal audácia dos bandidos relatam que foi uma situação inesperada e que parecia uma cena de cinema.

Mas será que essa situação era realmente inesperada e que este risco de invasão ao Fórum não era prevista de ocorrer?

No Rio de Janeiro já tiveram casos de invasão de criminosos às Delegacias Policiais para libertar comparsas e por que não imaginar que um dia poderiam ter a audácia de invadir Fóruns para libertar também seus comparsas.

A Secretaria de Segurança Pública do estado do Rio de Janeiro solicitou a transferência desses criminosos para presídios federais por conta das consequências e transtornos gerados.

Na visão de Gerenciamento de Riscos, uma medida poderia ter tomada para mitigar o Risco de invasão de bandidos a Fóruns e que foi amplamente citado aos dias seguintes que ocorreu a invasão, que seria a utilização de Vídeo Conferências para a realização de depoimentos. A não aplicabilidade de uma ação de Mitigação deste risco resultou na perda de duas vidas, sendo uma criança de 8 anos e ainda outras vitimas que foram internadas em estado grave em um hospital da região.

É notório que o Gerenciamento de Riscos não se restringe apenas no ambiente de Projetos, mas sim na vida de todas as pessoas e em todas as áreas de atuação. Caso a Secretaria de Segurança Pública tivesse promovido um trabalho proativo de identificar e traçar as ações necessárias, vidas não seriam perdidas e vitimas não seriam internadas em estado grave com risco de vida.

Imagine os riscos de invasão de bandidos a uma agência bancária. Nos dias atuais a única ação de mitigação é a porta giratória com seguranças alocados internamente na agência. Essa ação é suficiente para inibir uma invasão ou é necessário que se identifique novas ações e novos riscos que coloque a segurança do banco e seus clientes em risco?

Aqueles que são avessos ao Gerenciamento de Riscos tratam os problemas de forma reativa, e estão sujeitos a pagar um preço por isto. No caso exposto, foi a sociedade quem pagou, com duas vidas perdidas e pessoas internadas. Um preço alto demais para as famílias que perderam seus parentes e que não retornarão nunca mais.

De forma reativa, no dia 05 de Novembro de 2013, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através do Governador Sergio Cabral, informou que a videoconferência será utilizada para colhimento de depoimento de testemunhas e réus que apresentem periculosidade, de forma a evitar que novos episódios como o ocorrido voltem a ocorrer. E por que já não foi tomada uma ação proativa de identificar os riscos e evitar que essa situação tivesse ocorrido?

O maior risco é não gerenciar os riscos. Caso os riscos não sejam gerenciados, os riscos irão gerenciar a vida das pessoas.

Então, por que não realizar um trabalho proativo onde consiga antever problemas e traçar ações de mitigação e eliminação dos riscos?

A este trabalho proativo chamamos de Gerenciamento de Riscos.

Autor: Luiz Guilherme Carvalho, MBA, PMP, PRINCE2, PMI-RMP, M_o_R, CSM

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