O Gerenciamento de Riscos e as Partes Interessadas

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Os Projetos surgem, na maioria dos casos, por necessidade, demandas, exigência ou melhoria. Há expectativas por parte de pessoas, organizações e entidades que necessitam ser atendidas. Ou simplesmente não desejam que um Projeto seja implementado por entenderem que este irá trazer um impacto negativo, ou ainda, com a sua criação, não se beneficiará ou serão prejudicados.

De acordo com o PMBOK Guide 5ª Edição, Partes Interessadas ou Stakeholders, é um indivíduo, grupo ou organização que poderá afetar, ser afetada, ou perceber-se a ser afetada por uma decisão, atividade, ou o resultado de um projeto, positivamente ou negativamente.

Uma das primeiras ações que deve ser tomada após a emissão do Termo de Abertura do Projeto (Project Charter), ou alguma outra ação ou documento que formalize o início de um Projeto nas empresas, é identificar as Partes Interessadas. Partes Interessadas de um Projeto são tão importantes, que na 5ª Edição do PMBOK Guide foi inserida a décima área de conhecimento, Gerenciamento das Partes Interessadas.

As Partes Interessadas devem ser identificadas para uma futura análise e Planejamento, a fim de serem gerenciadas e monitoradas. Uma Parte Interessada que não seja identificada, que seja opositora ao Projeto ou reativa e que tenha um alto poder na organização poderá ser uma fonte de Risco no Projeto, resultando, por exemplo, em várias solicitações de mudança no Escopo, acarretando custos extras e atrasos no cronograma. Em casos mais complexos, o Projeto poderá até mesmo ser paralisado ou cancelado.

Os Stakeholders ou Partes Interessadas necessitam, o mais cedo possível, serem identificados para que sejam classificados em relação ao Poder x Interesse. De posse da classificação de cada Parte Interessada, uma estratégia será adotada, devendo ser controlada e monitorada durante todo o Projeto.

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O Projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construído no Rio Xingu, estado do Pará possui, dentre as diversas Partes Interessadas destacadas, ambientalistas brasileiros e internacionais, IBAMA e Comunidades Indígenas. Desde 1975 foram iniciados os estudos deste Projeto, mas no ano de 2006, o Congresso Nacional resolveu cancelar os estudos, para que as Comunidades Indígenas afetadas pela construção fossem ouvidas. Em 2009, por solicitação do Ministério Público, a Justiça Federal suspendeu a Licença Ambiental, o que resultou na paralisação do processo de construção. Somente no ano de 2011 o IBAMA concedeu a Licença de Instalação da Usina. Porém já se passaram 38 anos desde os estudos iniciais e a Usina ainda não foi construída. É notório que o Governo, responsável pelo Projeto, não fez a identificação e análise das Partes Interessadas, resultando em 38 anos de processo e uma boa parte destes se deve a atrasos.

Dessa forma, se houvesse o envolvimento e análise das Partes Interessadas, as chances da Usina de Belo Monte já estar em operação nos dias atuais estariam maximizadas.

O Gerenciamento de Riscos possui relacionamento com praticamente todas as demais disciplinas de Gerenciamento de Projetos, incluindo o Gerenciamento das Partes Interessadas. O Gerenciamento de Riscos tem por finalidade garantir que os objetivos dos Projetos sejam alavancados, garantindo que não haja custos extras, prazos estourados e que impactos sejam reduzidos. A não aplicabilidade de Gerenciamento de Riscos deixará organizações, entidades e pessoas expostas, pois não haverá como gerar uma ação proativa em relação aos problemas que ocorrerem.

No dia 14/07/2013, este Blog publicou um artigo sobre os Riscos da Jornada Mundial da Juventude 2013 e um dos Riscos apontados, foi quanto ao alagamento do terreno de Guaratiba, conhecido como Campo da Fé que receberia o Papa e os Peregrinos nos dias 27 e 28 de julho. Devido às chuvas que caíram sobre a Cidade do Rio de janeiro o Risco se confirmou e o terreno ficou alagado. No dia 25/07/2013, a Organização do evento da JMJ alterou o local para a Praia de Copacabana, após já ter sido montada toda estrutura onde ficaria o Papa, resultando em custo extra pela mobilização e desmobilização de mão de obra. Será que nenhuma Parte Interessada foi capaz de identificar esse Risco?

Os dois exemplos, Usina de Belo Monte e Jornada Mundial da Juventude, comprovam o quanto é importante e necessário o Gerenciamento de Riscos.

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